quarta-feira, 21 de dezembro de 2005

Cigarro na redação

Um beija-flor engrandece meu dia Acordo. Gemidos. 'D' no lugar do 'N', e 'B' ao invés de 'M'. Tomo café, sem gosto nenhum. Desço o elevador, passando batom. Saio de casa, andando devagar.

Um beija-flor, que some rápido. O céu sem nuvens. Mesmo assim, o frescor da manhã.
Uma menina diz que chorou na barriga da mãe. O ônibus passa. Espero. O gari varre a rua, remexendo em poças de água. Sem cheiro, não sinto cheiro.

Entro no ônibus, que apita sem parar. Um velho passa a mão na nuca e olha a mão. O ônibus para no sinal, e volta a apitar. Resolvi que não leria o livro. O sol insistia em aparecer na frente dos meus olhos.

O ônibus parou no posto. Pensei que tinha estragado. O motorista encheu um reservatório de água, e o ônibus não apitou mais. Passo pelo terminal fedido.

Chego no jornal. "Tramontina, você já pegou a camisa no departamento pessoal?"
-Não...
"Ah, você não é a Tramontina"
-É, sou a Ludmilla.

Pausa na matéria sobre ceia natalina para assistir o clip do Chemical Brothers. Muito bem feito. Queria viajar.
A gripe não passa. Todos vão em um almoço puxa-saco. Três idiotas fumam na redação sem janelas abertas. Amanhã todo mundo vai vestir a camisa, senão leva advertência.
Mesmo assim estou feliz.

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